A Igreja Matriz de Lourosa, também conhecida como Igreja Paroquial de Lourosa, Igreja de São Pedro de Lourosa ou, ainda, Igreja Moçárabe de São Pedro de Lourosa, é um templo de construção anterior ao nascimento do Reino de Portugal dedicada ao Apóstolo S. Pedro, localizada em Lourosa, no concelho de Oliveira do Hospital.

O interesse por esta igreja data, fundamentalmente, dos inícios do século XX devido à redescoberta do seu estilo pré-românico, dito moçárabe, e consequente publicação de estudos. Em 1916 (decreto de 16 de Junho) foi classificada como monumento nacional e, posteriormente, sujeita a importantes trabalhos de restauro que trouxeram à luz, não apenas o seu estilo primitivo, mas outros vestígios arqueológicos bastante anteriores à igreja.

A sua origem pré-românica torna esta igreja num exemplar raro em Portugal. Este templo moçárabe reflete a diversidade de influências por que passou na época da primeira Reconquista. A singularidade desta igreja advém também dos materiais reutilizados, romanos, visigóticos e árabes, e da monumentalidade da galilé e das três naves com arcos em ferradura.

A Igreja Matriz de Lourosa constitui um raro exemplar de arquitectura pré-românica do Ocidente peninsular, com abundante material romano reaproveitado e reelaborado, que confere um aspecto classicizante ao conjunto, estatuto reforçado pela ausência de decoração e pelo predomínio das linhas rectas, de carácter tardo-asturiano, de plano basilical e cabeceira tripartida. É composta por três naves, antecedidas por nártex bastante longo (maior que os dos templos asturianos áulicos), e de dois andares (dando o superior para o interior da igreja). transepto saliente e cabeceira datada dos primeiros anos do século X. Tem vestígios de influência islâmica na possível torre-cruzeiro com ajimez axial em friso de arcos cegos. Transepto saliente mas tripartido, sendo o cruzeiro antecido por iconostase de feição desconhecida; compartimentos laterais do transepto separados do cruzeiro e das naves laterais através de arcos-diafragma que reforçam o isolamento destes compartimentos em relação à nave central e cruzeiro. Iluminação e configuração original da cabeceira desconhecidas. Portas com lintel recto e arco de descarga de volta perfeita, solução comum na primeira metade do século X. A noroeste, surge um conjunto de sepulturas escavadas na rocha, mas em provável conexão com esta, de orientação variável e único na região do Mondego. Campanha gótica não especificada, materializada em dois capitéis vegetalistas, de que se conserva apenas um. Foi bastante intervencionada no século XX, com reconstrução integral da cabeceira, nártex e partes altas do corpo e do transepto, constituindo o seu processo de restauro um dos melhor documentados da História do Restauro em Portugal, com três projectos distintos e numerosos investigadores envolvidos.

Ficha Técnica:

Construção: Ano 912
Coordenadas GPS: 40.317523, -7.931813
Protecção: Decreto n.º 2 445, de 14-06-1916, publicado no DG, I Série, n.º 118,de 14-06-1916
Ver Ficha em www.monumentos.gov.ptséculo X

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